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Imaginar um programa de concerto está longe de ser simples. Para além da duração das peças e da variedade necessária, é preciso encontrar um fio condutor que leve o ouvinte até o final com uma sensação de percurso, de descoberta e de prazer cumulativo.

Expandir esse exercício para uma temporada inteira transcende a simples habilidade técnica. Obras consagradas, capazes de despertar identificação e memória afetiva, passam idealmente a conviver com repertórios inexplorados, compositores esquecidos e facetas menos conhecidas de grandes mestres — e, acima de tudo, cada peça escolhida deve lançar uma nova luz sobre a seguinte.

Foi dessa inquietação que nasceu a ideia-guia da Temporada 2027. A proposta começou com uma pergunta: seria possível organizar uma temporada não apenas como um calendário, mas como uma experiência contínua?

A resposta consistiu em buscar uma estrutura que permitisse que os concertos se relacionassem entre si sem que cada programa perdesse a sua autonomia. A inspiração inicial foi Friedrich Nietzsche e, mais especificamente, Assim falou Zaratustra. O filósofo alemão ofereceu nove portas de entrada para pensar a música, a criação e a experiência humana, por meio de imagens suscitadas por seus escritos.


Nesta temporada, seremos guiados por nove festivais — nove movimentos de uma mesma obra imaginária. Cada um se desdobra em três semanas de concertos sinfônicos na Sala São Paulo:

Nascido do caos — março
Ressurreições — abril
Dançar com o mundo — maio
Triunfo — junho
Torna-te quem és — julho
Paz — agosto
Sim à vida — setembro
Memória — setembro e outubro
O eterno retorno — outubro e dezembro


A essa espinha dorsal sinfônica somam-se programas corais, de câmara e recitais, a maior parte deles na Estação Motiva Cultural, que ampliam e prolongam cada tema. Ao todo, a Temporada 2027 reúne 47 programas: 27 sinfônicos, 6 corais, 7 de câmara e 7 recitais.

Numa grande composição, afinal, o sentido não está apenas em cada movimento isoladamente, mas também naquilo que se revela quando um termina e o seguinte começa. Todos participam de um arco maior: do caos à criação, da crise à transformação, da luta à afirmação, da memória ao retorno.

Que comece a travessia!

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